A inconstitucionalidade da Lei da Cesárea foi aprovada por unanimidade entre os 25 membros do Órgão Especial do TJ-SP

O Tribunal de Justiça de São Paulo julgou inconstitucional a Lei da Cesárea PL 17.137/2019. Trata-se da Lei que autorizou cesáreas sem indicação médica do SUS no estado.  “Em tempo de negacionismo da ciência e do direito a saúde, uma vitória. Eu avisei, o movimento de mulheres avisou, as doulas avisaram, o Coren avisou, a Sogesp avisou, pesquisadoras avisaram, a defensoria avisou. A má política prevaleceu em troca de agrados futuros”, desabafa a codeputada Raquel Marques.

A chamada “Lei da Cesárea” tinha sido sancionada em agosto de 2019 pelo governador João Dória (PSDB); após o projeto ter sido aprovado em regime de urgência pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em proposta feita pela deputada Janaína Paschoal (PSL).

“Foram dias e noites na luta, articulando, telefonando e argumentando. Fizemos luta interna e nas ruas. Judicializamos pela irregularidade da tramitação e perdemos. O juiz considerou “interna corporis”. Quando a lei foi aprovada judicializamos mais uma vez. Monica Seixas (Psol)  e Marina Medeiros Helou (Rede) foram imprescindíveis no plenário”, explica o processo.

O Brasil, segundo o estudo científico The Lancet 2018, é o segundo país com maior taxa de cesáreas do mundo. A porcentagem de nascimento por cirurgias aqui chega a 55,5%, quando segundo a ONU o ideal seria algo em torno de 15%.  Os números são ainda mais assustadores se compararmos a rede pública a privada. Segundo a UNICEF, as cesarianas representam 40% dos partos realizados na rede pública e 84% na  particular. Esta lei só colocaria o país no topo do mundo.

“Nós, mulheres, não somos moeda de troca. Merecemos o mais alto nível de assistência à saúde. A lei caiu, mas a luta continua”, finaliza Raquel Marques.

Sobre Raquel Marques:

Raquel Marques é ativista pelo parto humanizado; mestre em Saúde Pública; doutora em Medicina Preventiva; presidente da Associação Artemis e codeputada estadual em São Paulo, pelo mandato coletivo da Bancada Ativista, que tem Mônica Seixas como porta-voz.

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